Amor além do tempo Ye Shao e Kim Lan eram amantes desafortunados, separados por um ódio do passado, uma rixa entre famílias. Separados em vida, se reencontraram após a morte, em outro mundo. Neste novo lugar, tiveram chance de recomeçar e viver seu amor. Ye Shao e Kim Lan se conheceram durante o Banquete das Flores, na residência do Marquês de Santy. Foi amor a primeira vista. Ela, Ye Shao, era filha do Primeiro Ministro do Reino de Valarda, jovem e bonita; ele, Kim Lan, um jovem general, campeão de guerra. A atração imediata foi notada pelas famílias, que não aprovaram o romance. Um ocorrido no passado tornou as famílias de Ye Shao e Kim Lan inimigas mortais. Diante da intransigência dos parentes, o casal começou a se encontrar às escondidas. Os criados de confiança eram os emissários de bilhetes, cartas e prendas de amor. O romance proibido durou dois anos até que, um dia, o irmão de Ye Shao descobriu o local dos encontros por acidente. O mundo de amor do casal caiu. Ye Shao foi presa no quarto, proibida de sair. Sua criada de confiança foi castigada e vendida. Kim Lan, a pedido de seu pai, foi enviado a fronteira, sem modo de voltar e seu criado, espancado até a morte. O desgosto tomou conta dos jovens, que começaram a definhar a olhos vistos. Pararam de se alimentar, não cuidavam da higiene pessoal, não procuravam descansar. Em seis meses, estavam a beira da morte. Nenhum médico ou curandeiro conseguia descobrir a causa da doença que os assolava. Um dia, a criada que cuidava de Ye Shao, entrou correndo no salão principal da mansão. Aos gritos, contou aos presentes que a jovem estava morta. Na fronteira, Kim Lan também havia sido encontrado sem vida. Ambos os jovens faleceram no mesmo dia, mês e hora. Não deixaram cartas, nem bens. Tudo o que possuíam havia sido doado aos necessitados fazia bastante tempo. Criados de confiança de ambos os jovens, que restavam nas respectivas residências, haviam cumprido seus últimos desejos. Em seus aposentos não tinham nada, nem roupas, sapatos ou jóias. Não havia um único item que lhes pertencessem. Tudo tinha sido retirado há tempos. A tristeza e a revolta cobriu Valarda. O Imperador decretou luto de sete dias. A população, revoltada, atacou as residências de ambas as famílias, destruindo várias coisas. Os corpos de ambos os jovens , Ye Shao, que tinha sido colocado no mausoléu familiar, e Kim Lan, trazido da fronteira e levados ao quartel militar,foram resgatados e , nos braços das pessoas, levados, juntos, até o bosque de pinheiros. Lá, duas covas foram abertas, uma ao lado da outra e os cadáveres de Ye Shao e Kim Lan colocados em cada um delas. Um monge oficiou o enterro, dizendo que agora o casal poderia permanecer junto pela eternidade. O povo, ajoelhado, repetiu a prece. Flores foram espalhadas ao redor dos túmulos em memória dos jovens que, cantavam os cancioneiros, haviam morrido de amor. Trezentos e setenta anos depois, na era moderna, a jovem advogada Mei Ly chegava ao seu escritório. Tinha vencido mais uma batalha jurídica. Ao entrar, sua secretária, Aly Man, veio ao seu encontro, dizendo que um cliente importante a aguardava. Mei Ly entregou sua pasta a Aly e foi em direção a sala de reuniões. Ao entrar, percebeu uma forte presença, algo que não soube explicar. “Senhor, seja bem vindo. Sou a advogada Ly. Em que posso ajuda-lo?. O homem, que estava de costas, virou-se. Ao vê – lo, Mei Ly teve uma sensação estranha, como se já o tivera visto antes. “Advogada Ly, sou Zhao Ran, de Ran Tecnologys. Prazer em conhecê -la. Já ouvi falar muito sobre você e seus feitos jurídicos. O motivo da minha visita é simples: um dos meus sócios me traiu, vendendo segredos comerciais a um rival. Necessito assistência jurídica para saber como proceder neste caso. Poderia me ajudar, advogada Ly? Os honorários não importam, pode pedir o que achar necessário. Só peço que seja minha consultora e me ajude com está questão “. Mei Ly deu uma boa olhada em Zhao Ran e percebeu que era um homem acostumado a ganhar, que não fazia rodeios, nem usava meias palavras. Era senhor absoluto de si mesmo, não se deixando levar pelas emoções, nem desejos. “Então, senhor Zhao, qual é exatamente o problema que a sua empresa enfrenta com relação a esse seu sócio? Roubo de documentos apenas, ou há mais alguma coisa?” Zhao Ran sorriu.”Os boatos não são mentiras. A advogada Ly é realmente uma pessoa perspicaz. Esse meu sócio, além de revelar segredos para a concorrência, também desfalcou uma boa quantia de dinheiro, cinquenta milhões de dólares, repassou uma das propriedades da empresa a terceiros e difamou a minha pessoa, chamando-me de gay enrustido. O boato foi de que me aproximo das mulheres apenas para disfarçar minha verdadeira condição. Imagine qual não foi a reação da minha mãe ao ouvir essa estória “. Mei Ly mordeu a língua para segurar o riso. Um dos solteiros mais cobiçados da cidade ser gay? O que tinha dado na cabeça dessa pessoa para inventar uma estória dessas? Esse era o tipo de causa que ela adoraria ganhar! ” Advogada Ly, está me ouvindo? Oi, advogada Ly? ” Mei Mei Ly saiu de seu devaneio, adotou sua melhor postura profissional e disse: ” Senhor Zhao Ran, aceito seu caso. Sobre os honorários, pode discutir os trâmites com minha secretária, Aly Man “. Estendeu a mão para cumprimentá-lo e se despedir, mas ao toca-lo, sentiu como se uma corrente elétrica lhe percorresse o corpo inteiro. Uma sensação de déjà vu a invadiu e a fez cambalear. Em um reflexo rápido, Zhao Ran a segurou, impedindo que caísse. Imediatamente, imagens, como se fossem lembranças, vieram a sua mente. Um jovem casal apaixonado, de uma época diferente, enfrentava repreensões e castigos apenas pelo fato de estarem juntos. Zhao Ran sentia como se ele próprio estivesse sendo castigado. A dor da separação era perceptível, muito real. O que estava acontecendo? Mei Ly, por sua vez, também tinha percepções: um jovem casal apaixonado, juras de amor, encontros furtivos, separação, morte. Ela sentia um dor no peito que não sabia explicar. Na tentativa de compreender o que ocorria, soltou -se dos braços de Zhao Ran. No mesmo instante, algo parecido a um corte lhe dilacerou o peito, não conseguia respirar. Para tentar ajudá-la, Zhao Ran a colocou no sofá e chamou a secretária e seu assistente. Aly Man veio correndo com um copo de água e um comprimido e o deu a Mei Ly para que tomasse. Apoiado por seu assistente, Sy Than, Zhao Ran sentou-se em uma cadeira, respirou fundo e tentou entender o que estava acontecendo. O que significavam aquelas imagens? Qual o motivo de sentir tanta dor, uma angústia dilacerante? Isso nunca lhe havia ocorrido. Necessitava investigar bem o assunto. No sofá, Mei Ly dava sinais de melhorar. Ela também não entendia o significado das visões, nem o porquê de tanta dor. Era uma profissional qualificada, não temia juízes, nem tribunais, e de repente, sem motivo, começava a delirar. Decidiu ligar para sua amiga Su Yan e marcar um horário. Su Yan era médica, iria com certeza descobrir o que estava acontecendo. Percebendo que Mei Ly estava melhor, Zhao Ran levantou -se, se despediu e saiu, ainda confuso com o que tinha se passado. Mei Ly, já recuperada, pegou o celular e ligou para Su Yan. Contou a ela o que tinha ocorrido e sua amiga pediu que fosse ao consultório no dia seguinte. Estava achando tudo muito estranho. Mei Ly não era de ficar doente, alucinar muito menos. Algo não quadrava. Algum mistério havia aí. Enquanto isso, na residência de Zhao Ran, sua mãe o aguardava, preocupada com a boataria espalhada pelo ex-socio. Seu filho único era um solteiro convicto, que nunca tinha dado asa a mulher alguma. Aquelas que o perseguiam faziam uma fila até Paris, mas Zhao Ran parecia não se importar. Era como se estivesse esperando por alguém, uma pessoa especial. Sua mãe acreditava nisso, em encontros predestinados. Zhao Ran chegou a casa apoiado por Sy Than. Ao vê -lo, sua mãe apavorou-se e indagou do assistente sobre o que ocorrera. Sy Than disse-lhe o que sabia, mas não conhecia o motivo de tal situação. A senhora Ran chamou o mordomo e ordenou que chamasse o médico da família. Depois, pediu a um dos empregados que ajudasse Sy Than a levar Zhao Ran para o quarto. O médico veio, fez o exame e disse que Zhao Ran apresentava febre alta, mas não aparentava ter infecção ou outro tipo de moléstia. Provavelmente, havia sofrido um choque emocional violento, o que provocara a febre. A senhora Ran agradeceu ao médico e se despediu. Depois, voltou para sala , a conversar com Sy Than, sobre o dia de Zhao Ran. O assistente disse que o dia tinha sido como qualquer outro, com reuniões na empresa e uma visita ao escritório da advogada Mei Ly, para falar sobre o assunto do sócio. Sy Than contou que foi durante a conversa com a advogada Ly que Zhao Ran havia apresentado os sintomas e que a advogada Ly também tinha passado mal, sendo socorrida pela secretária. A senhora Ran agradeceu a Sy Than e o dispensou. Depois, ficou a pensar consigo mesma sobre o que poderia fazer com que duas pessoas que não se conheciam, ao se cruzarem, sentiriam -se mal a ponto de quase desmaiar em? Que mistério era esse? O que estava oculto? A mãe de Zhao Ran pensou, refletiu e decidiu ir ao templo buscar a ajuda dos monges. No apartamento de Mei Ly, as coisas também não iam bem. Ao chegar em casa, Mei Ly sentiu -se mal novamente e resolveu ligar para Su Yan, que foi ao apartamento e encontrou Mei Ly às voltas com uma febre altíssima. Su Yan colocou Mei Ly no soro e decidiu passar a noite lá. A médica não entendia o que acontecia com sua amiga. Advogada Ly sempre tinha apresentado boa saúde, raramente ficando doente. Agora, de uma hora para outra, ao atender um cliente, já tinha passado mal duas vezes, sendo que o mesmo havia ocorrido com o cliente. Era realmente estranho. Será que o cliente usava um tipo de perfume ou loção pós barba que continha algum ingrediente alérgico? Mas, Su Yan pensou, Mei Ly nunca tinha tido nenhum tipo de alergia. Intrigada, a médica resolveu buscar na internet informações sobre o assunto. O que encontrou não foi bem o que esperava: reencontro de almas, dizia uma das postagens; recordações de vidas passadas, dizia uma outra. E várias outras, sempre com o mesmo tema. Su Yan, mais confusa que antes, ligou para um colega, médico psiquiatra, e relatou a situação. O profissional pediu que, assim que Mei Ly melhorasse, fossem até sua clínica, para alguns procedimentos. Combinado feito, se despediram e Su Yan foi ao quarto observar Mei Ly. Estava empapada de suor e dizia coisas incoerentes, repetindo sempre o mesmo nome: Kim Lan. Na residência de Zhao Ran, como se fosse brincadeira do destino, a febre não baixava, ele murmurava coisas e falava sobre batalhas e guerras, imperadores, mansões, primeiro ministro, Valarda e um nome: Ye Shao. Foi uma longa noite para as famílias de Mei Ly e Zhao Ran. Uma doença inesperada, algo incomum que os médicos não sabiam diagnosticar. Uma semana se passou. Ambas as pessoas melhoraram. Mei Ly voltou a trabalhar e avaliar casos no escritório. Zhao Ran voltou a comandar suas empresas. Sobre o assunto da traição do sócio, Mei Ly e Zhao Ran se falavam através de sua secretária e seu assistente, respectivamente. Dois meses depois, a primeira audiência foi marcada. Havia provas suficientes para acusar o sócio de roubo de informações comerciais, apropriação indébita, desvio de dinheiro e difamação. Nesse meio tempo, Su Yan convenceu Mei Ly a conversar com seu colega psiquiatra. O médico perguntou se ela já tinha tido esse tipo de alucinações antes, fosse por sonhos ou visões. Mei Ly negou e disse que a primeira vez foi no dia em que atendia o senhor Zhao Ran, no momento em que se desequilibrou e ele a segurou, impedindo que caísse. Foi nessa hora, contou ela, que teve as visões e sentiu uma profunda dor, chegando quase a desmaiar. O profissional então, perguntou se ela gostaria de se submeter a uma sessão de regressão. Mei Ly disse que era necessário tratar de alguns assuntos, causas que estavam em curso, mas que, ao terminar, com certeza faria o procedimento. Na casa de Zhao Ran, sua mãe se preparava para ir ao templo. A viagem duraria,pelo menos, uma semana, justamente na semana que estava marcada a audiência. A senhora Ran lamentou, mas não podia deixar a dúvida permanecer. Deu ordens ao mordomo acerca do funcionamento da residência e partiu. Não se despediu do filho, mas confiou que ficaria bem. Alguns dias se passaram. Era a data da audiência. Mei Ly, acompanhada de Aly Man, esperava na entrada do fórum a chegada de seu cliente. Dez minutos depois, o carro da Ran Tecnologys estacionou. Sy Than desceu e abriu a porta. Zhao Ran, em terno cinza, exalava poder e dinheiro. Exalava também, Mei Ly percebeu, uma masculinidade latente. Ao subir as escadarias, todos os olhos se voltaram para ele. Mulheres entortavam seus pescoços para vê -lo, homens se intimidaram com sua presença, outros permaneciam de boca aberta, sem ter palavras. Zhao Ran cumprimentou sua advogada e entrou no fórum, seguido por Sy Than. Mei Ly entrou logo atrás, seguida por Aly Man. Todos estavam presentes, incluindo o sócio traidor, senhor Venn e seu parceiro de tramóias, Vican Lee, cuja empresa rivalizava com a de Zhao Ran. O juiz adentrou o recinto, todos se levantaram. Após uma breve apresentação, o juiz pediu sentar e as pessoas relaxaram. Então, os advogados de ambas as partes começaram a apresentar as provas e decorrer sobre o caso. Senhor Venn foi chamado a depor. Advogada Ly iniciou perguntando o motivo de espalhar boatos a respeito da opção sexual do ex- sócio. Venn riu e disse que Zhao Ran era um homem mesquinho, que queria tudo só para ele. Disse que, depois de dez anos de parceria, não tinha conseguido nada de substancial e que Vican Lee havia lhe prometido a vice presidência, caso conseguisse os documentos secretos. Espalhar boatos foi apenas uma forma de desviar a atenção. Venn, de repente, se deu conta do erro que cometera. Havia confessado um crime frente ao juiz, que o observava. Mei Ly esboçou um sorriso e deu por concluída a inquirição. Vican Lee bufava. Venn, o idiota, havia posto tudo a perder. Agora, só tinha uma maneira de se livrar da acusação: Zhao Ran tinha que morrer. Vican Lee se afastou da sala do tribunal, pegou o celular e fez uma ligação. Era a encomenda da morte de Zhao Ran. A audiência prosseguiu com a apresentação de novas testemunhas. Durante seis horas, o juiz ouviu as testemunhas, analisou as provas e deu o veredito. Mei Ly havia vencido mais uma vez. Zhao Ran convidou a todos para um jantar de comemoração. Sairam do fórum e se dirigiam ao estacionamento quando, de repente, um automóvel surgiu, indo na direção de Zhao Ran. Mei Ly, percebendo o perigo, o empurrou para o lado, sendo atingida pelo veículo, que empreendeu fuga. Sy Than e Aly Man ligaram para a polícia e o resgate, que chegaram em dez minutos. Na porta do fórum, muita gente se reunia, procurando saber o que tinha acontecido. O juiz, tendo se internado do caso, ordenou uma inspeção completa nas câmeras das ruas, em busca de imagens do veículo atropelador. Enquanto isso, Mei Ly e Zhao Ran eram colocados na ambulância e levados ao hospital. Zhao Ran, apesar dos esforços de Mei Ly, havia ficado ferido, mas sem gravidade. Mei Ly, por outro lado, tinha perdido muito sangue e estava inconsciente. Ao chegar no hospital, Mei Ly foi levada às pressas para o centro cirúrgico. Zhao Ran, para o atendimento geral, pois apresentava apenas escoriações e o braço esquerdo fraturado. Consciente, Zhao Ran pediu informações sobre a advogada Ly. Siy Than lhe disse que estava grave, necessitando sangue de panda, mas o hospital não tinha estoque suficiente. Zhao Ran ordenou a Sy Than que convocasse de imediato os funcionários da empresa com sangue de panda, dizendo que o bônus de fim de ano seria em dobro para quem ajudasse. Sy Than saiu a cumprir a ordem. Logo, o hospital tinha estoque de sangue suficiente para atender Mei Ly. Enquanto isso, a senhora Ran , tendo retornado da viagem e avisada sobre o acidente, estava a caminho do hospital. O monge do templo havia dito algo misterioso. Disse que o destino de Zhao Ran havia chegado e dependia dele fazer a escolha certa. Intrigada com essas palavras, a senhora Ran chegou ao hospital e logo se dirigiu ao quarto onde estava Zhao Ran. Sy Than lhe fazia companhia. A senhora Ran lhe contou sobre a viagem e as palavras do monge. Zhao Ran ficou intrigado. Não entendia o que significava. Seu pensamento estava em Mei Ly. Ela havia lhe salvado a vida. Um incômodo, uma sensação de perda iminente o dominou. De repente, as imagens voltaram, dessa vez mais nítidas: a jovem, o jovem com roupas militares, encontros furtivos, juras de amor, a proibição, separação, morte. Ele viu, nítido, as faces dos dois jovens: o rapaz se assemelhava a ele, Zhao Ran; a jovem, a advogada Ly. Um choque violento tomou conta dele. Estaria tão preocupado com sua salvadora que sua mente estava lhe pregando peças? Ouviu os nomes: Ye Shao e Kim Lan. Chamou o assistente, deu os nomes e pediu informações o mais rápido possível. Sy Than saiu a cumprir a tarefa. A senhora Ran, confusa, perguntou o que ocorria. Zhao Ran lhe falou das visões, das faces e dos nomes. Sua mãe lembrou-se de outra coisa que o monge falado: as almas, separadas em vida, unidas na morte, haviam retornado. Foi um achado! Virou-se para o filho e falou: “Filho, o jovem era você em outra vida. A advogada Ly é a jovem que amou e da qual foi separado. Vocês retornaram nessa vida para terem a chance de viver seu amor!” Zhao Ran olhou para sua mãe como se ela estivesse louca.” Mãe, do que está falando? Que jovem, que outra vida? Isso não faz nenhum sentido!” . Enquanto falava, Sy Than chegou apressado. ” Chefe, o senhor não vai acreditar no que eu descobri! Os nomes que me forneceu são de pessoas reais, que viveram a trezentos e setenta anos atrás. Eram um jovem casal apaixonado, separado por uma rixa familiar. Ambos morreram de tristeza após a separação. Foram enterrados juntos, no bosque de pinheiros que ainda existe. O mais estranho é que os retratos pintados dos dois jovens se parecem ao senhor e a advogada Ly”. Zhao Ran ficou sem palavras. Sua mãe tinha razão. Muitas coisas estranhas haviam acontecido desde que entrará em contato corporal com a advogada Ly. Seria possível um tipo de reencarnação, um reencontro de almas? Desesperou-se. Mei Ly estava no centro cirúrgico, entre a vida e a morte. Se eram verdade as visões, não podia permitir que a tragédia se repetisse. ” Traga os melhores médicos, especialistas, cirurgiões com urgência! Devemos salvar a vida da advogada Ly a qualquer custo!”. Sy Than, às pressas, ligou para os hospitais de referência, solicitando a presença imediata dos melhores profissionais em medicina de urgência. Foi um caos! O hospital foi invadido por médicos vindos de todos os lugares, cidades e até da Capital. Mei Ly, atendida de urgência, tinha superado o período crítico. Restava saber quando acordaria. Foram três meses de cuidado intensivo. Zhao Ran deixara as empresas nas mãos de seus vice presidentes e diretores de confiança para ficar perto de Mei Ly. Sua memória como Kim Lan havia retornado. Ele se lembrava de tudo, até o mais mínimo detalhe. O amor, a dor, a separação, a tristeza, a morte, tudo sabia e sentia. Mei Ly continuava inconsciente, sem dar nenhuma resposta aos estímulos. Zhao Ran, em três meses, tinha perdido peso, o cabelo estava mais largo e a barba estava por fazer. Não se parecia em nada com o poderoso empresário que fazia todos tremerem a sua passagem. Uma noite, Zhao Ran se encontrava adormecido quando sentiu alguém lhe tocar. Levantou abruptamente e acendeu a luz. Mei Ly estava de olhos abertos, fixos nele. “Kim Lan, é você? Por que está tão diferente?” O coração de Zhao Ran deu um salto. Ela se lembrava! O silêncio da espera de trezentos e setenta anos não necessitava palavras. Mei Ly voltou a fechar os olhos, respirando calmamente. Zhao Ran saiu a chamar o médico, que veio, examinou e disse que a advogada Ly estava começando a despertar. Mais alguns dias e estaria completamente desperta. Zhao Ran agradeceu e voltou para junto da cama. Dez dias se passaram. Mei Ly não tinha voltado a despertar. Ao amanhecer do décimo primeiro dia, ela acordou. Lembrava-se de um longo sonho, de uma voz, um rosto, um nome. Olhou em volta, mas não viu ninguém. Zhao Ran havia saído para comprar café da manhã. Mei Ly tentou se levantar, mas sentiu tonturas e tornou a deitar-se. Neste momento, Zhao Ran retornou, e qual não foi a surpresa ao vê -la acordada. Mei Ly olhou fixamente para ele. Era o rosto do sonho, também o era a voz. Só não sabia se o nome seria o mesmo. ” Senhor Zhao Ran, Kim Lan, é você?” Zhao Ran não soube o que responder. Resolveu que o melhor seria contar a verdade. “Sim , sou Kim Lan, em uma outra vida, uma outra época, outro lugar. Nós conhecemos a trezentos e setenta anos, quando os Impérios ainda existiam. Nós apaixonamos, mas por um ódio do passado, nossas famílias não nos permitiram ficar juntos. Separados, morremos de tristeza e fomos enterrados juntos, no bosque dos pinheiros. Agora, renascemos para nos reencontrar e viver nosso amor. Você acredita em mim? Sei que parece loucura tudo isso, mas é a mais pura verdade. Se quiser comprovar, estou a disposição para me submeter a qualquer procedimento. Você esteve inconsciente por mais de três meses após o acidente que quase nos matou. A polícia descobriu que foi Vican Lee quem ordenou o atropelamento. Ele e seus cúmplices já estão presos. Seu escritório está sendo gerido por Aly Man e dois de meus funcionários mais competentes. Você salvou minha vida e meu coração. É a minha maneira de agradecer. Descanse agora. Vou chamar o médico para lhe examinar. ” Zhao Ran já estava na porta quando Mei Ly o chamou. Tinha se lembrado da proposta do amigo psiquiatra de Su Yan. Ela deu a Zhao Ran seu número e pediu que a contactasse para que viesse vê-la e também para que trouxesse seu amigo psiquiatra. Zhao Ran prometeu que o faria e saiu. Os médicos vieram, realizaram exames e testes e concluíram que a recuperação estava indo bem. A senhora Ran veio visitá-la , agradeceu por ter salvado a vida de seu filho e disse que já sabia sobre as almas reencarnadas. Mei Ly sorriu. Logo, saberia a verdade sobre toda essa estória. Aly Man e o pessoal do seu escritório também vieram visitar. Trouxeram cestas de frutas e presentes. Ficaram durante uma hora e meia falando sobre casos jurídicos. Assim que saíram, Su Yan e o psiquiatra chegaram. Mei Ly contou o que Zhao Ran tinha falado e o médico afirmou que a regressão era necessária para descobrir a verdade. Mei Ly concordou e o profissional iniciou o procedimento. Mei Ly recordou o primeiro encontro, a atração mútua, a proibição da família, os encontros às escondidas, as cartas, os bilhetes, as prendas, as juras de amor, a descoberta do caso pelas famílias, as punições, a separação, a tristeza e a morte. Lágrimas de dor e saudade rolavam por suas faces. Zhao Ran não mentira. Estavam destinados a se encontrar e a reviver seu amor. De volta do transe, agradeceu ao médico, dizendo que buscasse Aly Man para receber os valores correspondentes. Depois, pediu a Su Yan que ligasse para Zhao Ran, que ele viesse vê -la o mais breve possível. Mei Ly tinha ânsias de toca-lo, de sentir sua presença, seu cheiro, seu amor. Su Yan saiu, prometendo retornar. O resto do dia passou. Zhao Ran não apareceu. Mei Ly se culpou. Não tinha acreditado em suas palavras e agora o perdera novamente. Lutando com seus pensamentos, adormeceu. Despertou de madrugada, sentindo uma pressão no abdômen. Zhao Ran dormia, encostado em sua barriga. Ela tocou seus cabelos e percebeu que necessitavam um corte. A barba também estava cheia, necessitando aparar. Notou que ele tinha perdido peso. Imaginou o quanto deveria ter sofrido nestes três meses, vendo-a inconsciente. Continuou a acariciar sua cabeça até que Zhao Ran despertou. Eles se olharam longamente, um olhar de espera e de promessas. Tinham se reencontrado, as almas tinham se reconhecido. A partir de agora, nunca mais se separaram, estariam juntos, para todos o sempre.